A greve continua

Foto: Hugo Harada/Agência de Notícias Gazeta do Povo

 

Depois de uma terça-feira caótica, sem um único ônibus circulando em Curitiba e Região Metropolitana, os trabalhadores rejeitaram a proposta de 8% de aumento no salário e R$200 de Vale Alimentação e decidiram proseguir com a greve hoje, quarta-feira.
A princípio, estimava-se que o sindicato dos motoristas e cobradores iriam seder e liberar 70% dos veículos para circular nos horários de pico e 50% em horário normal através da decisão tomada pela justiça do trabalho, pelo desembargador Altino Pedroso dos Santos, onde em caso de descumprimento, o Sindimoc pagará multa diária de quase R$100 mil.
Porém, a população foi pega de surpresa novamente no dia de hoje, quando se depararam com pontos de ônibus cheios e nada dos coletivos.
Com esta atitude, confirma-se a informação levantada na noite de ontem, que o sindicato possui um fundo para financiamento de greve, pois com o descumprimento da decisão judicial, o Sindimoc deverá pagar a multa estipulada na determinação da justiça do trabalho.

Foto: Antônio Costa / Agência de Notícias Gazeta do Povo

Curitiba continua com estações-tubo, terminais e praças vazias, sem motoristas, cobradores e passageiros. Já as ruas estão completamente congestionadas e rádiotaxi com linhas ocupadas.

O que já aconteceu

Foto: Antônio Nascimento / Banda B

 

Ontem, desde as 2 horas da madrugada, piquetes impediram a saída dos ônibus das garagens. Segundo Alexandre Teixeira, assessor de comunicação do sindicato das empresas de ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp), ônibus que sairiam para buscar funcionários durante a madrugada, foram impedidos de sair e aqueles que conseguiram, foram abordados e abandonados na canaleta.

Uma hora depois, a justiça concede liminar para que 80% dos ônibus circulasse nos horários de pico e 60% nos demais horários. Porém, o sindicato dos motoristas e cobradores (Sindimoc) recorreu, além de descumprir a liminar. Para esta, não havia nenhuma penalidade estipulada.
A Urbs, através de seu presidente, Marcos Isfer, em entrevista aos principais veículos de comunicação da capital,  garantiu que enviou durante a madrugada para as garagens as tabelas das linhas que deveriam ser operadas. Para provar tal ação, a Urbs disponibilizou em seu site a planilha com as respectivas linhas e tabelas a serem operadas conforme decisão de liminar. O Sindimoc afirmou não ter conhecimento do recebimento dessas tabelas nas garagens.

Enquanto isso, apenas a empresa Sanjotur em São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba, mantinha seus onibus circulando. Mas como não haviam passageiros vindos de Curitiba e os dos bairros não tinham como seguir para a capital, os veículos da Sanjotur rodaram boa parte do dia vazios.

Marcos Isfer declarou acreditar que até meio-dia os ônibus voltariam a circular, todavia, esta situação não ocorreu.

No início da tarde, levantou-se a informação que os patrões, através de seu sindicato, haviam proposto aumento de 10,5%. Esta informação foi confirmada pelo Sindimoc, mas negada pelo sindicato das empresas.

A partir das 15h, a Urbs iniciou o cadastramento de lotações em sua sede, na rodoferroviária. As lotações ganharam permissão para operação provisória nas principais linhas da cidade, com valor único de R$5,00. Até o final da tarde, eram contabilizados 72 carros autorizados a circular como serviço de lotação.

As 16h, Setransp, Sindimoc e Urbs compareceram a uma audiência no TRT (Tribunal Regional do Trabalho) para realizar novo acordo. Empregados pediram aumento de 10,3% no salário e R$210 no Vale Alimentação. Patrões, no entanto, ofereceram 8% e R$180.
Como não houve acordo entre as partes, a justiça do trabalho interveio 8,5% e R$200. Até o fim das negociações, os patrões finalizaram com oferta de 8% no salário e R$200 no V.A.

Urbs adiantou que um aumento de 10,5% no salário dos operadores causaria um rombo de mais de R$ 50 milhões aos cofres da instituição, tornando o aumento da passagem inevitável.

Anderson Teixeira, presidente do Sindimoc, levou a proposta para a classe dos trabalhadores na assembleia realizada na praça Rui Barbosa as 18h. Os trabalhadores recusaram a proposta e a greve foi mantida.

Para que a população não fosse afetada novamente com a continuação da greve, a justiça do trabalho determinou que 70% e 50% da frota circulem em horários de pico e horários normais, respectivamente, sob pena de multa de aproximadamente R$100 mil por dia.

Motoristas e cobradores, decidiram manter a greve. Mas ninguém esperava que a decisão judicial seria descumprida e Curitiba amanheceu mais uma vez sem ônibus nas ruas.
Mais uma vez a empresa Sanjotur, em São José dos Pinhais, decidiu por manter sua frota nas ruas da cidade.

O que está acontecendo

Para diminuir o impacto causado pela falta de ônibus, as lotações estão circulando desde cedo pelas principais linhas de ônibus em Curitiba e região. A Urbs sugere também a utilização de caronas solidárias entre amigos, colegas e parentes, para diminuir o impacto no trânsito, já caótico na capital.

Operadores do sistema continuam realizando piquetes na frente das garagens, impedindo a saída de ônibus. Eles também estão aguardando uma nova proposta dos patrões e mostram-se dispostos a voltar ao trabalho assim que tiver a confirmação de que suas reinvidicações foram aceitas pelas empresas.

O Setransp, por sua vez, está reunido para avaliar avarias feitas em ônibus dentro dos pátios pelos manifestantes. A representante das empresas afirma que alguns ônibus tiveram vidros quebrados, pneus furados e lataria pixada. Por sua vez, o Sindimoc nega que tenha ocorrido excessos e informa que os pneus não foram furados, mas apenas murchos. De modo a evitar possíveis excessos, o sindicato comunicou que pelo menos um representante está com os manifestantes nas garagens.

Até o final desta matéria, nenhum ônibus voltou a circular e nenhuma nova proposta foi feita pelas empresas aos seus funcionários.

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