História

124 anos de Transporte Coletivo

Em 1887 o primeiro bonde puxado por animais circulava em Curitiba, ligando o Boulevard 2 de Julho (atual início da Avenida João Gualberto) ao bairro do Batel. As passagens custavam 200 réis na primeira classe e 100 réis nos bondes de segunda classe.

historia1Em 1895, oito anos após a criação da pioneira “Empreza Ferro Carryl Curitybana”, os bondes passaram ao controle do italiano Santiago Colle. Em 1912 começaram a circular os primeiros veículos elétricos, que eram abertos. Dois anos antes, Colle havia transferido a Ferro Carryl à South Brazilian Railways Ltd, empresa também concessionária do serviço de iluminação pública de Curitiba.

A chegada dos bondes elétricos fechados, com tecnologia francesa, cobrando tarifa de 300 réis, inaugurou um novo ciclo na história local dos transportes, com a criação de novas linhas. Eram três, ligando o Asilo da Avenida Marechal Floriano ao Cemitério Municipal; o Batel ao Centro; e o Prado Velho à estação ferroviária da Avenida Sete de Setembro. A South Brazilian, em 1928, deu lugar à Companhia Força e Luz do Paraná, que colocou em circulação os primeiros ônibus. Eles concorriam com os bondes, mesmo cobrando tarifas mais elevadas. Em maio de 1950, Aurélio Fressato, que já operava linhas regulares de ônibus desde 1936, ganhou a concorrência pública para exploração do serviço de transporte coletivo. Sua empresa, a Companhia Curitibana de Transportes Coletivos, faliu em 1952, depois de reajustar as tarifas em 100% no ano anterior. Em 1951 também saíram de circulação os últimos bondes, dando lugar às auto-lotações.

A grande revolução no setor ocorreu em 1955, quando o município estabeleceu contratos de concessão com 13 empresas. Naquela época, a cidade era atendida por 50 ônibus e 80 lotações. O Plano Diretor de Transportes de Curitiba foi então considerado um dos mais perfeitos do mundo.

Desenvolvimento e Integração

Os cerca de 360 mil habitantes de Curitiba em 1960 eram servidos por 14 empresas, que transportavam 143.100 usuários/dia em 56 linhas, ao longo de 22.922 Quilômetros . Dos 2.250 veículos disponíveis, só 126 rodavam regularmente. Em virtude das condições precárias, milhares de pessoas deixavam de ser atendidas. A “revolução” deu-se a partir do início dos anos 70, quando todos os bairros passaram a ser atendidos. Em 1974 foi implantado o Sistema de Ônibus Expresso, com os coletivos circulando em vias exclusivas do sistema trinário. À integração física somou-se a integração tarifária a partir de 1980, com a criação da chamada Rede Integrada de Transporte (RIT). Ela veio permitir deslocamentos diversificados a quaisquer pontos da cidade com o pagamento de uma só passagem.

Ônibus FNM – Curitiba – 1972

A imagem mostra um ônibus FNM com carroceria Nimbus/Furcare trafegando pela canaleta no bairro Santa Cândida. Esta foto foi tirada antes da implantação dos ônibus expressos, em 1974. O veículo pertencia à empresa Transporte Coletivo Glória, e percorria a linha Olaria .

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Inauguração do Sistema Expresso – Curitiba – 1974

Vemos na imagem a entrega dos vinte primeiros ônibus expressos de Curitiba, em 22 de setembro de 1974. Os veículos foram produzidos pela Marcopolo, de Caxias do Sul. Estes veículos serviram no eixo Norte-Sul.

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Inauguração do Expresso – Curitiba – 1974

A foto mostra o prefeito de Curitiba na época, Jaime Lerner, que foi também o idealizador do sistema expresso, embarcando em um dos ônibus que realizariam a viagem inaugural do sistema, no eixo Norte-Sul. O sistema, inaugurado em 1974, continua sendo uma das mais bem sucedidas experiências em transporte urbano no Brasil.

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Ônibus Expressos – Curitiba – 1976

A foto mostra ônibus expressos em Curitiba no ponto da praça Generoso Marques em 1976. Os veículos, de fabricação Marcopolo e Nimbus, percorriam as linhas Capão Raso/Santa Cândida.

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Ônibus Expresso Padron- Curitiba – 1977

A imagem mostra dois ônibus expresso tipo Padron, trafegando pela Avenida Paraná, em Curitiba, no ano de 1977. Percorriam a linha Santa Cândida / Capão Raso. Posteriormente os veículos seriam substituídos por modelos articulados.

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Ônibus Expresso – Curitiba – 1978

Vemos um ônibus Expresso Mercedes / Nimbus percorrendo a canaleta do eixo norte, em 1978. O detalhe curioso é a faixa “É com esse que eu vou” colocada na frente, por conta de uma campanha pela economia de combustível, lançada na época.

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O Sistema Trinário

historia3A partir de 1974, Curitiba passou a dispor do Sistema de Ônibus Expresso – o chamado metrô de superfície. Trata-se de uma solução inédita para ligação entre o centro e os bairros por vias exclusivas. Assim foi criado o sistema trinário de vias, que tem ao centro uma canaleta exclusiva para o Expresso, ladeada por duas vias de tráfego lento, em sentidos opostos. Paralelamente existem ainda duas ruas de tráfego rápido. A canaleta possibilita o aumento da velocidade média dos ônibus sem comprometer a segurança dos passageiros.

Atualmente são 72 km de vias exclusivas, que cruzam a cidade nos sentidos Norte, Sul, Leste, Oeste e Sudeste (Boqueirão). Os grandes eixos são complementados por 270 km de linhas alimentadoras e 185 km de linhas interbairros. Somado às linhas convencionais, o sistema de transporte urbano de Curitiba cobre toda a área do município.

Hoje, 124 anos depois, 1,9 milhão de passageiros utilizam diariamente o Sistema Integrado de Transporte Coletivo, composto por 1.902 ônibus, que atendem 275 linhas. O sistema é responsável pelo emprego direto de 12.700 pessoas – entre motoristas, cobradores, fiscais, mecânicos etc.